Fabrício Maurício | Diário da Região SJRP – Entrevista
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Diário da Região SJRP – Entrevista

Diário da Região SJRP – Entrevista

Por Assessoria em Entrevista, Recursos Humanos - Coach de Carreira 18 set 2014

Entrevista: Diário da Região

Tema: Felicidade no Trabalho

Jornalista: Elen Valereto

– Por que tantas pessoas reclamam do trabalho que possuem, mas não vão em busca de outro?

Mudanças doem. Tente se lembrar da sensação da última vez que começou atividades em um trabalho novo… As pessoas se habituam muito às suas rotinas e tem muita dificuldade de se desvencilhar destas simplesmente porque aí está a sua zona de conforto. Embora o sujeito possa estar se sentindo enfadado, e já desconfortável com sua situação, geralmente prefere sentir este desconforto diante do já conhecido dia-a-dia do que enfrentar os “perigos” do novo, que geralmente soa como ameaçador.

Assim operam a maioria das pessoas. Movidas por seus medos e não por suas paixões… Ou seja, motivado pelo medo de não ter um emprego, ou de ser retirado de sua rotina previsível, simples e descomplicada, ainda que reclamando da vida o tempo todo, opta por manter-se “seguro” onde está, ao invés de se lançar aos desafios do novo e possivelmente de suas paixões maiores, que poderão eventualmente saciar seu coração e seus desejos, mas a um preço que nem todos estão dispostos a pagar.

– Qual é a ‘fórmula’ para ser feliz no trabalho?

Fazer o que gosta. O desafio maior é descobrir o que você gosta… A maioria das pessoas até conseguem identificar algumas das coisas de que não gostam. Mas descobrir o que realmente gosta e te faz feliz é uma situação que muitos às vezes levam uma vida inteira sem descobrir e atravessam sua jornada terrena, infelizes e desconfortáveis em suas peles.

Isto porque muitos ainda se deixam mover por fatores externos, tais quais a profissão da moda, ou a profissão que melhor remunera e tem mais oportunidades, ou ainda a profissão que vai lhe garantir a ilusória “estabilidade”. A contrapartida nesses casos pode até temporariamente saciar este sujeito (estabilidade, bom salários, status…). Mas logo, vem o cansaço, vem a desconexão com seus propósitos maiores e então infelicidade. E o que é pior, uma infelicidade sem causa aparente, que o desmotiva e o transforma em um ranzinza e reclamão. Começa a culpar tudo e todos por suas mazelas sem se dar conta que estas foram criadas exclusivamente por suas escolhas. Assim o único caminho é muito esforço e dedicação na busca da identificação daquilo que realmente gosta.

Quando vai saber que encontrou? Quando não estiver mais olhando para o relógio o dia todo. Quando não fizer mais distinção entre as segundas e sextas feiras, como se a segunda fosse o pior dia da semana e a sexta o melhor. Quando sentir que está em fluxo no trabalho e utilizando toda sua concentração e potencialidade naquilo que está fazendo. Enfim, você só vai ser plenamente feliz se for o protagonista em sua vida. Sempre que você se sente coadjuvante nas tarefas que executa, o crítico interno surge e junto os questionamentos que não raras vezes trazem a angústia consigo…

– Qual é a participação da empresa para que seus colaboradores sintam-se bem no trabalho, independente do tipo de atividade?

Infelizmente a maioria das empresas ainda não se deu conta do poder de tudo isso. Continuam operando na crença de que bons salários e bons benefícios são suficientes para trazer a paz que todos buscam e que com isso vão performar. Algumas mais “avançadas” tem se dedicado um pouco mais a cuidar do clima organizacional…

A grande verdade é que se não houver um esforço efetivo no sentido de identificar as maiores potencialidades das pessoas e aplicarem isso da melhor maneira possível em funções que possam se beneficiar disso, todo esforço será em vão. As pessoas em geral, não fazem o que suas empresas e seus chefes esperam. Fazem o que querem fazer. Sempre foi e sempre será assim. Daí diante do estímulo “ameaçador” do chefe que impõe uma atividade e espera um resultado, o trabalhador “finge” que faz em sua presença. Na sua ausência faz o que mais o convém. E neste “Teatro Corporativo” vão perpetuando os maus resultados, maquiando como podem, e prolongando a subvida das organizações.

– O que as empresas têm feito hoje para contribuir com o bem-estar de seu ambiente?

Tem feito o insuficiente e equivocado caminho dos benefícios, salários, estudos de clima… Líderes verdadeiros são cada vez mais raros. Infelizmente a dura realidade é que o que temos à frente da maioria das grandes organizações são “Chefes” arrogantes, egoístas, que acreditam que não existe inteligência abaixo deles. Sentem-se donos do negócio e das pessoas e se comportam como funcionários comuns.

Nos últimos 15 anos atuei como Gestor de Pessoas em grandes Organizações de vários segmentos em vários estados do país. Algo que sempre preguei e obtive pouco sucesso com todos os vários “Chefes” com que lidei, é que o Colaborador dentro de uma grande organização deve ser livre para ocupar a posição que bem entender desde que tenha as competências e requisitos indispensáveis aos cargos.

O que as pessoas querem e buscam? Quais as demandas que geralmente aparecem nas pesquisas de satisfação? Salários, carreiras, benefícios são importantes, mas nunca ocupam o topo. Sempre despontam respostas do tipo: “quero uma oportunidade de crescer e desenvolver”. E como atender então a estas demandas? Construindo robustas estruturas de seleção interna que permitirão a movimentação, o crescimento e a oxigenação e desenvolvimento das pessoas.

Não obstante a toda essa verdade presente em todos os segmentos, seus “Chefes” acreditando serem “donos” destes, se comportam de forma comumente egoísta e infantil acreditando que mesmo contra suas vontades esses vão continuar sendo bons naquilo que faziam. Daí impedem seu crescimento e com isso a empresa perde um excelente Colaborador naquilo que fazia e a concorrência acaba ganhando um excelente candidato pronto e já treinado pela empresa anterior…

– Por que colaboradores mais satisfeitos no trabalho rendem mais?

Quem ama cuida. Não dá pra cuidar, e fazer prosperar algo que não tem conexão comigo… Simples assim. Só vão atingir níveis elevados de performance aqueles que estiverem totalmente conectados ao que estão fazendo. E só é possível essa conexão quando há amor no que se faz.

Fabrício Maurício é Psicólogo, Coach, Consultor em gestão, Escritor e autor dos livros Batalha Interior – Escolhas da Vida publicado pela Editora Pandorga, e “Diário de uma Bicicleta” em edição pela mesma Editora.
www.fabriciomauricio.com.br

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