Fabrício Maurício | A Pipa e o Menino
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A Pipa e o Menino

A Pipa e o Menino

Por Fabricio Mauricio em Gotas de Lágrimas 16 ago 2012

O local era conhecido como Comunidade do Cotó. Era uma vila toda meio bege, meio marrom. Quase a totalidade das casas era sem reboco, sem pele colorida, assim a vila ficava na carne viva com cor de tijolo. Talvez por esta exposição a Vila doesse sempre. Estava constantemente doente, perrengue. Faltavam alguns pedaços aqui e ali, geralmente era suja e remelenta. Fedia. Às vezes mais às vezes menos, mas sempre fedia. Por lá nem o céu era tão bonito. Parecia que o telhado infinito da vila era de amianto, quando partia pra forrar os grandes centros, era de barro ou cimento. Nem sempre foi assim.
Havia alguns anticorpos… Ah! Estes anticorpos! Tão poderosos, mesmo com a vila em carne viva, traziam saúde, vida, esperança. Quando levantavam suas pipas no céu, este logo tirava aquela sua carranca habitual e arregalava um desdentado sorriso, sem nuvens, sem dentes, sem nada. Dava até pra ver o céu da boca do céu! Era azul arara. Ficava ali se exibindo e colando cada pipa em qualquer lugar, decorando o infinito. Tinham dias que eram umas três, outros umas trinta. Se uma ou tantas Ele se abria e aí a Vila Cotó ficava mais bonita. Claro! Tudo ficava mais claro. Não sei exatamente se o céu de amianto de lá era reflexo das paredes despeladas, ou se as casas carne viva é que davam aquela cor incolor ao pobre céu. O fato é que quando as pipas grudavam nele, tudo tomava outro corpo.

Era assim: um pano de fundo azul arara, com vários formatos, uns tipo brasões, outros losangos, até alguns meio quadrados. Só não podiam ser da cor do céu! Se não Ele embirrava e pra isto não mudava de cor! Tinha que destacar. Então ficavam umas coladas, outras bordadas, e algumas encaixadas no pano azul, todas coloridas.

Embaixo os guris da Comunidade do Cotó, que apesar de todo cenário de desgraças que os cercavam estavam sempre olhando prá cima, sempre vendo longe, apesar de terem demorado muito a descobrir que a vila só ficava mais bonita quando as pipas estavam no céu. Quem parece ter percebido os primeiros sinais disto foi Menino – este era o apelido dele, Menino. Seu nome era Luiz, mas ninguém o chamava pelo nome. – Quando se deram conta disto passaram a fazer isto mais vezes. E cada vez mais! Aumentava mais o número de pipas. Cada dia que passava a Vila ficava menos incolor e parece que a vida também. Nem sempre foi assim.

Vez ou outra o céu decidia variar. Mostrava alguns dentes. No máximo uns seis ou sete. Como existiam umas indústrias logo ao lado, por vezes a fumaça das caldeiras, tentavam se passar por nuvens. Logo que o céu percebia ele soprava para longe dali estas meliantes. Faziam mal para as pipas! Por quê? Não faço ideia, mas se o céu falava estava dito. Estas poucas nuvens eram tímidas (pareciam ser bem macias), pespontadas e bem disformes, para sobrar o máximo de cantos possíveis para que as pipas pudessem se esconder. Era a brincadeira preferida delas. Pique esconde nas nuvens. Havia duas em especial que adentravam a noite nesta brincadeira. Vestiam-se com papéis de seda fluorescentes, que brilhavam no escuro e se embrenhavam no momento flocos do céu (negro com pontos brilhantes). Era Carlinha e Duda.
As pipas recebiam seus nomes em batismos que eram muito populares. Embaixo àquela gurizada espalhada pelos campos da Vila Cotó correndo e descarregando linha. Muita linha. Muita. Todas as economias daqueles garotos se convertiam em carretéis de linha dez que iam comprando e remendando com outro e enrolando em latas de óleo que eram muito comuns naquela época. A lata ficava gorda. E quanto mais obesa maior era a moral e calibre de quem a carregava.

Além desta tradição seguiam a das rabiolas. As rabiolas que é aquele rabicho pra servir como um leme eram enormes, coloridas, lindas!Então estes se reuniam para o batismo. Descarregavam toda linha que tinham. Indescritível era a emoção daquele que conseguia descarregar toda e ainda permanecer no céu e voltar. Este podia dar nome à sua Pipa. Ela passava a ser respeitada. E também cobiçada.

Comunidade do Cotó! Tempos atrás os meninos de lá iniciaram esta tradição. Lá pelos idos das grandes guerras. A guerra estava nas veias da humanidade. As crianças cruéis por natureza se deleitaram. Só soltavam pipas com cerol. Cerol é uma mistura de vidro (geralmente de lâmpada por ser mais fino) batido até virar pó, com cola e passado na linha das pipas se transforma em uma arma letal. A função era ter uma linha cortante para romper a linha da pipa vizinha em guerras de pipas que eram organizadas com pompas de uma Arena de Gladiadores da Velha Roma!

O objetivo do jogo era romper com todas as linhas das outras pipas do céu restando sempre apenas uma. Esta seria a grande vencedora. Os oponentes, geralmente guerreiros nos altos de seus nove até doze anos no máximo, se contorciam e literalmente davam o sangue nestes combates. Não raras vezes os dedos se cortavam, tendo acontecido inclusive uma série de amputações de dedos e até mãos, vejam só, por conta do malabarismo que encaravam para não perderem suas pipas.

Até então a Comunidade do Cotó era lugar bom de viver. Tinha cores. Tinha cheiro. Ocorre que estas crianças foram deixando de soltar pipas. Sem dedos e até sem mãos como controlariam seus artesanatos voadores? O céu não gostou nada disto. Começou a acinzentar. Com pouco sol, pouca chuva, vezes muita chuva e sol, destrambelhou toda criação e vegetação da região. Crescendo e sem dedos, algumas sem mãos estas crianças foram se transformando em adultos amargos, e começaram a acreditar que a falta de seus membros era igual à falta de capacidade e aceitaram viver uma vida miserável, sem trabalho, sem esperança…

Ninguém mais pra rebocar, pra pintar, pra decorar a vida e a vila. Ela ficou cor de tijolo… Homens Meninos chorões, sem dedos e mãos pelos cantos, casas na carne viva, nada de pipas no céu. Que, aliás, estava irritadíssimo com isto e se vingando, mandando todo tipo de intempéries possíveis. Era um ciclo dos Diabos! Tudo mal e piorando a cada momento. Até que uma única mulher resolveu que deveria mudar. Talvez Ela não fosse aproveitar os benefícios disto, mas seus filhos e netos, sim. Era a Mãe de Menino!
A Mãe de Menino, depois de viver um longo luto pela perda de uma mão e dois dedos de outra, chegou à conclusão que a Vila Cotó não era sem cor ou com, pela falta das pipas no céu. O céu não era cinza cor de telha, por reflexo da vila Cotó! O Céu e toda Vila eram tão somente um reflexo de seu povo que escolheu um caminho e depois não suportou as consequências das escolhas feitas. Transformaram-se em mortos vivos então.

Mas a Mãe de Menino ressurgiu das trevas e ousou alterar uma tradição que insistia em perdurar. Ela enfiou o seu dedo no meio do ciclo que girava a muitos RPMs e alterou seu ritmo. E desta vez não perdeu mais um. Mas teve que ver seu Filho perdendo um para reagir.

A tradição era soltar toda linha, combater e voltar vivo. Só que sempre era só uma que voltava. Uma pipa voltava, uma pipa e um menino ficavam felizes. Todos os outros desolados. Muitos outros. A ideia era alterar a tradição, visando um jogo que objetivasse manter o máximo de pipas no céu ao mesmo tempo. Assim quanto mais meninos e mais pipas melhor. O novo jogo era batizar – descarregando toda linha conforme já sabemos – e então sacar novo rolo de linha na lata tão extenso quanto o primeiro, amarrar a linha no novo carretel e soltar toda a nova linha até não ver mais a pipa. Ela vai sumir no céu e ainda assim a linha continuará sendo descarregada. Enquanto houver peso ela está lá. Quantos mais conseguissem este feito, maior a graduação da comunidade. O objetivo agora não era mais individual, era coletivo! Não interessava que este ou aquele vencesse, mas a Comunidade.

Menino, também soltou pipa com cerol. Mas por muito pouco tempo. Só até perder um dedo. Foi o mindinho da mão esquerda. Quando a Mãe viu o ocorrido teve então a motivação que precisava par sair de seu estado de comiseração e dedicar sua vida a uma causa que seria mudar a tal tradição.

Tendo então vivido o trauma de sua perda e ainda ter crescido vendo a Mãe naquela amargura, já tinha reunido todos os elementos de que precisava para acreditar que era possível.

Começou a trabalhar seus companheiros. Menino era o Cara! Era gente do povo, tinha vivido as mesmas agruras de seus Companheiros, pais com histórias muito parecidas, ou seja, era uma pessoa comum, mas que acreditava em algo diferente. Que parecia ser mais saboroso. Embora todos aqueles guris se alimentassem do amargo e do azedo durante tantos anos, é fácil se adaptar ao doce. Aos poucos foi convencendo cada um da nova teoria contada por sua Mãe, e as coisas começaram a mudar.

Em muito pouco tempo desde que Menino perdeu seu dedo, sua Mãe e Ele aceitaram a mudança, as coisas já estavam refletidas do lado de fora. Certa feita estava Menino e Tutu (Melhor Amigo de Menino, chamava-o de Meu Amigãozão) daquele novo jeito, soltando Menino a Duda e Tutu a Carlinha. Adentrou a noite, elas brilhavam no céu, até certo ponto, depois apagavam e Menino e Tutu só podiam sentir o peso da linha. Deitados na grama do campo em frente sua casa (eram vizinhos) – agora já tinha grama verde na Vila Cotó! – Menino toma um susto tremendo quando percebe um pique e sua lata fica leve… Perdeu Duda… Ele se levantou aflito e suas palavras caíram de sua boca e foram rastejando até os ouvidos de Tutu com pouquíssima força…

– Tutu, acho que perdi a Duda! Tutu ficou mais assustado ainda, afinal a nova tradição despertava sentimentos diferentes. Não se alegravam mais quando uma ia, o ideal é que todas voltassem. Com isto todos foram se afeiçoando inclusive pelas pipas dos Companheiros. Tutu gostava de Duda e aquelas palavras apesar de terem chegado quase sem força o nocautearam colocando-o em pé e logo depois sentado.

– Não acredito! Exclamou Tutu, pegando a linha morta, já caída com sua ponta no chão muito perto deles. Foi com linha e tudo. Lamentou Ele se sentando…

Primeiro veio à visão da grama se secando, as poucas tintas já assentadas, se deslizando pelas paredes e correndo pros ralos, enchendo as galerias de sujeira e fedor. As paredes de novo na carne viva, tudo marrom, o céu se fechando… Menino tinha habilidade de pensar rápido. Superava seus lutos com certa velocidade. Era destemido, determinado. Ia até o fim quando encontrava uma causa que valesse a pena, e àquela que era a sua causa e de toda sua comunidade valia muito à pena, não podia se deixar abalar por isto.

Há muito tempo atrás todas as crianças vibravam quando uma pipa ia. Mal sabiam estas crianças que a cada pipa que ia, ia um dedo, ia uma mão e com dedos, pipas e mãos ia à esperança do povo. Em muito pouco tempo Menino conseguiu canalizar esta alegria para as pipas no céu. Não podia deixar que um acidente qualquer pudesse trazer de volta toda centelha daquele passado tão recente. Alinhou-se e pegando na mão de Tutu o ajudou a se levantar dizendo:
– Tutu, espero que Duda encontre um pobre menino para fazê-lo feliz. Já estava chegando minha hora também. Comecei a soltar pipa com sete anos. Aos nove anos perdi meu dedinho. Até os dez não soltei mais pipa, infeliz com este episódio, quando minha Mãe teve uma iluminação e me convenceu a vender uma nova tradição. A vida voltou e consegui mudar o pensamento de toda nossa comunidade. Soltei pipa dos dez aos treze. O normal é ir dos nove aos doze, eu fui dos sete aos treze. Está na hora de parar, fazer outras coisas. Vou sentir saudade dela. E vou torcer para que caia nas mãos certas.

Não podiam ser mãos melhores.

A pipa Duda era resistente. Como voava sempre em alturas incríveis era reforçada e se foi com toda sua linha. Por estar muito alta, atingiu velocidade de cruzeiro e foi levada pelos ventos para outro país não tão distante. Era um país rico em quase todas as suas regiões. E por alguma razão apesar das casas não estarem na carne viva eram pálidas, outras amareladas, e o céu com o mesmo aspecto de amianto da antiga Vila Cotó. A pipa caiu no imenso quintal de Bita.

Bita era um pobre garoto rico, muito rico. Possuía todo e qualquer tipo de brinquedos eletrônicos que se possa imaginar. Com toda esta monotonia ele se divertia mesmo era desmontando seus brinquedos e montando de novo. Vezes saia o mesmo brinquedo, outras nada, outras ainda brinquedos novos. Nenhum que ele tenha construído a partir do nada.

Ele pegou aquele objeto e ficou observando. Uma armação de bambu, com linha e papel fluorescente vestindo a armação e formando um brasão com as letras – D – U – D – A – coladas no seu peito. Tinha um imenso rabicho e numa espécie de cabresto alçando a ponta superior à inferior da pipa uma linha. Uma imensa linha que Bita não viu até onde ia.

Logo Bita sacou uma lata que tinha perto dele e começou a recolher aquela linha enrolando-a na lata. Por ali ficou pelo menos umas quatro horas e meia enrolando aquela linha. Era muito, muito grande! Quando tinha pipa, rabiola e linha em suas mãos parou um tempo olhando pra tudo aquilo sem fazer a menor ideia do que se tratava. Como era rico e dotado de todo e qualquer recurso tecnológico que se possa imaginar, Bita fotografou aquela geringonça e lançou a foto num site de busca por aproximação de aparência. Descobriu então que se tratava de uma Pipa. Incrível coincidência foi à primeira página que se destacou no site de busca, com a seguinte manchete:

– “A Vila Cotó, se reconstrói, a partir da nova tradição dos soltadores de Pipas”!

Lá constava toda tradição e demais orientações sobre esta fabulosa brincadeira. Bita entediado como a maioria de todos os pobres ricos moradores daquele país, com tantos brinquedos eletrônicos, tanto não ter que fazer nada para conseguir algo, já que tudo estava em suas mãos estava empolgadíssimo com o novo brinquedo. Este ele podia construir, brincar, criar, variar… Como ficara muito tempo recolhendo a linha e depois estudando o equipamento já era quase noite e Ele não quis esperar o dia seguinte. Já que ela tinha cores que brilhavam no escuro podia identificá-la. Foi logo soltar!

Na Vila Cotó, tudo ia de bem a melhor! Cada vez mais forte a tradição de manter as pipas nos ares, cada vez mais meninos felizes, cada vez mais crianças se transformando em adultos melhores.

Não obstante a tudo isto Menino sentia saudade de Duda. Não por ela, mas pelo tempo que urrou, ele decidira parar de soltar pipa, mas gostava de acompanhar seu Amigãozão quando este ia erguer a Carlinha.

Já encerrando o inverno que era a melhor fase para soltar pipas, numa bela noite o metido céu em seu traje de flocos, nos convida a ficar ali deitados vendo a Carlinha desaparecer. Para espanto e alegria do garboso céu, de repente ele vê Carlinha e Duda brincando de se esconder atrás das estrelas. Ele também não via as duas juntas há tempos. Então ele vibra, começa a piscar mais rápido e mais!!! Novas estrelas começam a surgir, e ele vai alterando sua cor de flocos para prata, tão numerosas eram as estrelas. Com o céu prata, tudo fica mais claro lá embaixo, ao ponto de Menino, Bita e Tutu, poderem ver pequenos flashesdo que estava acontecendo lá em cima. Eles vibram, se emocionam, saltam, correm, mal podem acreditar num presente deste nível vindo dos céus!
Passado a sensação de euforia desta grande surpresa começaram a pensar como poderia ter acontecido isto. Então Tutu começa a recolher Carlinha, e quando Ele faz isto o céu começa a se fechar. Percebendo o céu se fechando Bita lá em seu país não tão distante da Vila Cotó, soltou mais linha a ponto de não ver mais Duda. Quando a perdeu de vista o céu se abriu de novo e puderam ver relances das duas…

– Será?!?! Pensava Menino. Será que é Duda?! Onde estará?!?

Sempre que Tutu recolhia Carlinha o céu escurecia. Bita soltava mais linha elas se aproximavam e o céu clareava. Logo aprendeu. Menino precisava confirmar!

– Amigãozão, recolha sua linha, recolha quase toda linha, até um ponto que eu possa tocar Carlinha. Ele não pretendia exatamente tocar Carlinha, mas Duda, que certamente seguiria Carlinha até ali se as mãos que a estivessem segurando fossem as mãos certas que ele pediu pro céu!

Assim Tutu o fez. Quanto mais recolhia linha mais linha Bita soltava. Nesta hora o país infeliz de Bita estava vivendo um sonho. A madrugada que foi chegando de mansinho já engolia a noite num só bote, e todo o pobre país rico que entediado se recolhia cedo por não ter o que fazer, estava ali, de pé, radiante. Alguns conhecendo o céu da noite verdadeiro ali naquela hora. Um verdadeiro espetáculo!

Tutu recolheu Carlinha até poucos metros do Chão e para emoção completa de Menino, Duda estava ali ao seu lado, tilintando suas cores fluorescentes, feliz, esvoaçante, com sua imensa rabiola. Menino a acariciou e naquela hora teve a certeza de que estava em boas mãos. Suas cores estavam mais vivas que nunca, e em poucos segundos Ela começou a se distanciar.

Bita começou a recolher sua linha e na medida em que a distância ia aumentando, o céu ia se escurecendo e então Tutu soltou sua linha. Retomado o ciclo Tutu e Menino entenderam que era preciso levar Carlinha até lá. Assim o fizeram, Bita, Tutu e Menino.

Chegando ao país rico Carlinha pôde junto com Duda ensinar a única tradição que àquele povo podia conhecer: A de não derrubar as pipas. Não desfazer dos voos de ninguém, dos sonhos de ninguém. Bita acariciou Carlinha. Já tinha estudado as pipas. Sabia do que gostavam, sabia de suas brincadeiras no céu. Não podia pensar em outra coisa.

Tutu estava mais aliviado. Menino completamente confortado. Bita, agora feliz, tinha algo a fazer!

Novos costumes foram nascendo. E então diferentes nações se encontravam nos céus apesar das diferenças e distâncias, e como revelado pela Mãe de Menino não era o céu que refletia as coisas na terra ou as coisas na terra que refletiam no céu. As coisas na terra e todo o infinito céu eram tão somente um reflexo dos corações dos seres que o habitavam. Muitos bons corações, perdendo suas funções por se enganarem com esta ilusão.

As pipas foram poderosos instrumentos para promover este novo olhar.
Não pelas mãos de Menino que, aliás, nem tinha as duas completas, mas pelos corações, o céu adotou um novo guarda-roupa para sua rotina. De dia só vestia azul arara, às vezes uma gravata borboleta de nuvens cor de casca de ovo. De noite alternava entre flocos de negro com pétalas de estrelas prata para as noites mais comuns (que eram raras) e prata total para as frequentes noites de gala, onde as mais variadas pipas de todo planeta se encontravam!

A Vila Cotó agora era toda Colorida, da cor do País rico que não era mais pálido!

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