Fabrício Maurício | Lençóis
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Lençóis

Lençóis

Por Fabricio Mauricio em Gotas de Lágrimas 10 jul 2012

Muita gente passa a vida inteira me procurando e não encontra. Outros nem sabem o meu nome direito, mas sempre me mantém por perto. Alguns fogem de mim durante toda sua existência apesar da minha insistência em me manter ao seu lado. Outros correm sem olhar pra trás e não me dão a chance de alcançá-los, sem saber que estou os seguindo. Mas tem uns que sabem que Eu existo, acreditam de verdade em mim, mas inconscientes, fazem de tudo para me tirar de perto, até que um belo dia me deixam aproximar. Não sei por que, mas gosto especialmente destes. Parece que quando nos encontramos tem um sabor especial. Sabor de conquista. De Grande Encontro. Por isto vou contar a história de um destes.
 Um ano inteiro de muito trabalho, expediente de segunda à sexta-feira, laborando mais ou menos dez horas por dia, para conquistar o anual direito às férias. Alguns reais economizados ao longo de um ano, para desfrutar de um mês de descanso e então começar tudo de novo. Incrível a elasticidade do tempo. Onze meses que parecem durar uma eternidade (época que geralmente falo com pouca gente, e por isto demora prá mim também) e um mês que mal conseguimos sentir tão rápido ele corre (aqui encontro muita gente, mas a maioria me trata com muita superficialidade). Assim é o calendário da grande massa da humanidade que troca sua vida por um salário no final do mês, e um ano de escravidão por um mês de liberdade.
Como em tudo na vida, também tiveram ganhos. Conheceram vários lugares lindos, e pessoas maravilhosas. Mas o melhor ainda estava por vir: o retorno. O retorno? Sim, a volta para os dois principais protagonistas desta história seria histórica! Um foi de carro, para maior liberdade e mobilidade com sua família no destino, o outro com todos os outros foram de avião. Após alguns dias de muita diversão chegou a hora de voltar à vida! Iam voltar os dois de carro.

Mal amanheceu o dia (e olha que no Nordeste o dia começa mais cedo) e Ele já estava de pé, pronto para a aventura. Chegou ao Hotel onde seu Companheiro ansioso já o aguardava de malas em punho, e eu junto é claro, não podia perder esta aventura.

– Pelo jeito nem dormiu hein Pai? Questionou o Filho quando viu o Pai pronto a esperar. Estavam hospedados em locais distintos. O Pai:

– Horário é horário Meu Filho! Já estou pronto há alguns minutos. Vamos? O Pai convida o Filho, com um semblante quase que juvenil. Nesta hora e quase na maioria dos momentos do Pai Eu estava ali junto dele acariciando sua sedosa barba.

Logo colocaram o pé na estrada. Uma experiência inédita para ambos. Passar tantas horas com exclusividade do Pai e do Filho juntos. Fiquei junto com eles em todos os momentos embora nem sempre percebessem. Carro revisado, tanque e porta-malas cheio, e na cabine mapas, água, bonés, câmeras fotográficas e dois viventes, de duas gerações bem distintas loucos por uns dias de aventura. Estes já viajaram por todo país, um deles inclusive para outros países, mas os dois juntos assim e de carro, tendo todo tempo do dia para se conhecer e confidenciar, foi a primeira vez. Saíram de João Pessoa na Paraíba, rumo à Goiatuba em Goiás, ao todo aproximadamente três mil quilômetros que foram percorridos em cinco dias. Oportunidade rara no mundo tão acelerado de hoje em dia, afinal de avião este percurso poderia ter sido feito em três ou quatro horas o que, aliás, não seduzia nenhum dos viajantes que queriam mesmo é demorar.

– Pai, olha só o mapa (nada de GPS levaram um guia impresso) segundo meus cálculos podemos ir até Sergipe hoje, o que me diz?

– Filho, acho que podemos ir até onde não quisermos mais ir. Afinal, temos até o final da semana pra chegar ao nosso destino, vamos até quando cansarmos, apreciando com calma cada detalhe do caminho, o que acha?

Ao Filho, pareceu uma excelente ideia, já que realmente nada valeria mais nesta viagem que admirar o tempo e o espaço que tinham diante de seus olhos. E olha que este, certamente por ter menos “tempo de estrada” era mais ansioso, mais prático, enquanto o Pai, já havia superado algumas ilusões e sabia exatamente o que fazer para me manter por perto. Logo o Filho concordou:

– Acho que é uma boa ideia Pai. Que tal começarmos desviando o caminho para tirarmos umas fotos nas praias de Tamandaré? Nesta hora vibrei ali no banco de traz e ambos se regozijaram!

O Pai, orgulhoso na sua função de Navegador, logo se concentrou no mapa, fez seus cálculos e estimou algumas previsões do desvio, também concordando com a ideia. Parece que veladamente e inconscientemente haviam feito um acordo de concordarem sempre um com o outro, afinal um momento tão raro e especial como àquele não poderia ser desperdiçado com discussões e desentendimentos. Ambos se mantiveram fiéis ao “acordo” durante toda a viagem. Adorei este acordo, devo confessar. Parece mesmo que combina comigo este tipo de convenção.

– O que vamos ouvir Meu Pai?

– Deixe me ver.

E o Pai foi logo sacando sua pasta de CDs para escolher uma boa música. Pasta esta que seria explorada em todos os dias que se seguiram, já que enquanto copiloto este se reservou ao direito de ser o DJ também. Posição esta que não foi contestada pelo Filho, já que além de terem um gosto musical muito semelhante, como já dito convencionaram não se desentenderem. E começaram o trecho com um bom Zeca Baleiro. Adoro o Zeca. Ele sempre me leva para muitos shows dele. 

O Filho sempre dividido entre a entrega para aquela aventura vivendo cada instante como se fosse o último e a preocupação com a volta ao trabalho, dinheiro, contas… O Pai inteiro, completamente inserido em cada instante e lutando pra trazer o Filho para o presente! Eu ali no banco de traz do Pai.

Logo estavam em Tamandaré. Lugar lindo no Sul de Pernambuco com praias menos exploradas que em Porto de Galinhas e com isto preservando ainda características de um local mais reservado. Tiraram algumas fotos, tomaram um café da manhã e seguiram seu destino. Quase chegando a Maceió, novo pit stop para fotos na praia da Sereia. Almoçaram logo depois e seguiram seu destino. De fato chegaram à Sergipe e ali por perto de Aracaju ficaram em Estância, numa modesta pousada.

Logo cedo no segundo dia optaram por uma rodovia paralela. Não era a principal, mas pelo mapa sinalizava estar em boas condições além de ser bem menos movimentada e com paisagem mais atrativa, apesar de oferecer um percurso alguns quilômetros mais longo. E daí? Não era exatamente isto que estavam buscando? Cortaram boa parte da Bahia, conheceram lugares maravilhosos e então desafiando aquele mapa, identificaram um local que parecia ser parada muito interessante para a segunda noite de descanso: Lençóis na Chapada Diamantina na Bahia. Ali eu tenho morada fixa, e tinha certeza que iriam se deliciar, afinal onde estou tudo está bem! Adorei a escolha que fizeram!

A Chapada Diamantina é uma região de serras posicionada no centro da Bahia. É seu coração e sua alma. De lá pulsam incompreensíveis energias que se propagam por suas cristalinas águas que brotam dos cumes das serras e deslizam por estas se transformando em maravilhosas piscinas naturais, cachoeiras, sem falar das belezas das grutas e toda mata atlântica e caatinga que cerca o local. Mal sabiam Eles o que estava por vir…

Com dois dias de viagem pela estrada, contando histórias, ouvindo boas músicas e aproveitando aquela solidão a dois para discorrer sobre os mais variados temas, os dois tiveram a oportunidade que poucos raros, Pais e Filhos têm de se confidenciar. Assim chegado àquele momento e naquele local a destemida dupla estava muito a vontade para ser quem apetecessem ser! O Filho, contagiado pelo feitiço do ambiente, se esqueceu em alguns momentos do dinheiro, preocupação, trabalho enfadonho, e me permitiu boa proximidade… Decidiram serem Eles mesmos, na sua forma mais original possível. Parecia mesmo aquilo que eram de fato: Dois Grandes Amigos em busca de aventuras. Pena tantas vezes na vida as pessoas se esconderem atrás de seus vários papéis, e se confundirem tanto em seus valores e acharem que não existo (imaginem só, como poderia estar aqui falando com Você!). Definitivamente não era o caso daqueles dois naquela noite.

O Filho cansado de um dia inteiro dirigindo, desgastado pela estrada e viagem, quando põe os pés naquele solo sagrado:

– Pai, que lugar é este? Estou sentindo uma coisa que não sei descrever. Parece uma radiação de energia que não sei explicar, mas estou completamente revigorado. Queria morar neste lugar!

O Pai não menos excitado, apesar de muito mais cético, cedeu à magia do local, se comportando como o jovem filho, sem se conter, mas tentando conter o filho concorda com aquela sensação, se esforçando para mediar:

– Vamos logo encontrar uma pousada e aproveitar esta linda noite.

Escolheram um local simples, pitoresco, com um belo jardim na frente do quarto que certamente havia sido cultivado pelas mãos da saudosa Avó Júlia (mesmo que através de outras mãos fisicamente falando, mas não tinham dúvida de que era obra dela). Tomaram um bom banho, se vestiram, e desceram a rua buscando movimento. Tinham que aproveitar ao máximo, já que no outro dia cedo seguiriam seu destino. Dali por diante estaria com Eles em cada passo que dessem. E com estes dois fiz questão de colocar o meu mais belo vestido e o melhor de meus perfumes! Eu estava maior!

Além da simpática Senhora que era a administradora da pousada que mui carinhosamente os recebeu, conheceram várias pessoas maravilhosas, a começar do extravagante Pardal.

– Cara, que ônibus maravilhoso é este?! O Filho abordou Pardal que todo orgulhoso não se furtou a descrever algumas aventuras daquela máquina maluca, que já havia percorrido todo Brasil e até alguns países da América do Sul. Tratava-se de um ônibus do tipo trailer todo ornamentado com artesanatos de aço e pedras produzidos de forma muito especial e único. E cheio de orgulho da aventura o filho completa, tentando valorizar sua proeza:

– Estamos vindo da Paraíba rumo à Goiás, sem pressa, vamos fazer este trajeto em cinco dias!

– Olha só! Nós estamos vindo do Maranhão e estamos há dois anos na estrada! Respondeu Pardal.

– Uau – pensou o Filho – e eu achando que estávamos contando alguma vantagem… Ainda tinha muito a aprender sobre a pressa e o desprendimento.

– Vamos conhecendo os lugares e ancorando! Quando gostamos ficamos alguns meses, se não algumas semanas e vamos em frente. Nosso destino é a estrada é ser Feliz! Falou o Pardal erguendo o pescoço por sobre o ombro do filho e me dando uma piscadela.

O Filho sentiu uma ponta de inveja daquilo, afinal era tão apegado à sua casa, seu carro e seu conforto de sempre, mas se viu feliz pensando numa vida daquele jeito simples e despretensioso.

Continuaram caminhando para conhecer aquele lugar. Cidade de pedras, pequena e colorida, era viva, sentia calor e se refrescava. O mundo estava bem representado ali. Tinha gente de todos os lugares. Em sua maioria hippies contemporâneos que viajavam pelo planeta sem muito terem, mas com muito a oferecerem e conhecerem. Logo chegando próximo a uns cantadores o Pai para em um bar, compra duas cervejas e convida o Filho:

– Vamos ficar por aqui um pouco. Vale a pena! Logo chamou um dos tocadores e ofereceu-lhe uma cerveja.

Eram dois argentinos, um francês e uma americano. Ninguém se entendia, mas a sintonia era incrível. Tinha violão, percussão e outro violão. Um som inédito que completou o êxtase daquele momento. O Pai havia acertado em cheio! Na calçada o Filho cochicha com o Pai:

– Pai, não dá pra ir embora deste lugar! Repensei aqui meu calendário e apesar do retorno ao trabalho vou sacrificar um dia. Este lugar merece e nós também. O Pai, aposentado se alegrou obviamente e nem precisou responder.

Por ali ficaram mais um tempo, conheceram mais pessoas, comeram alguma coisa e depois de uma inesquecível noite foram descansar. Logo ao acordar saíram pelas ruas sem destino e sem guia turístico. Encontraram um fio de água e seguiram seu rastro, certos de que chegariam a uma cachoeira. Logo no início, quem encontraram? Pardal, lavando algumas roupas no rio e tomando um banho. Quase tudo de que precisava estava ali de graça, gentilmente sendo oferecido pela natureza. O Pai pergunta:

– Pardal, por onde subimos esta corredeira?

– Existe este caminho pelas pedras e outro por uma estrada vicinal. Vá pelas pedras, pise em uma e pergunte à trilha onde deve pisar na outra, ela vai te responder, basta que esteja atento.

Gostaram daquela resposta, parecia que combinava com aquele cenário e com aquele personagem. E quando foram subindo puderam perceber na prática o que Pardal falara. De fato quando pisavam em uma pedra e olhavam atentos em volta a trilha mostrava seus rastros, seus espaços mais confiáveis e te convidava a avançar. O que Pardal não comentou era que o lugar era dotado de um encanto que se assemelhava a uma fonte da juventude, e quem a subia determinado a chegar a seu topo, não cansaria. O Pai com quase seis décadas de vida nem percebeu a longa distância que percorreu subindo em pedras, e logo veio a recompensa.

Lugar no alto do morro, pedras coloridas fundidas às rochas que ditavam o caminho da cachoeira, árvores fechando as bordas da corredeira como se desconfiadas do que estava por detrás quisessem esconder alguma coisa, solo todo perfurado por poços de águas negras maravilhosas com algumas quedas aqui e ali. Um cervejeiro com uma caixa de isopor vendendo bebidas e alguns de todos os tipos espalhados naqueles poços. Logo viram os Amigos Patrício e Facundo, dois Argentinos que conheceram na noite anterior naquela roda de tocadores.

O Pai, já evoluíra bastante. O dinheiro era necessário, mas não o dominava. Estes jovens Argentinos viviam de um jeito um tanto quanto peculiar e causaram uma inveja boa no Filho que estava ainda tão preso ao poder deste papel. Viviam um dia de cada vez, tão somente. Viajavam o mundo só com sua arte e o pouco suficiente para chegar ao próximo destino e poder viver mais uma grande aventura. Eu também adoro viajar com eles. Estamos sempre juntos.

Incrível como alguns mais abastados entristecidos com suas várias desilusões se escondem atrás de suas montanhas de moedas de ouro, tentando se passar por pessoas felizes, realizadas! Por outro lado mendigos esfarrapados e na total miséria, se escondem atrás de seus trapos e imundície fingindo uma tristeza que paradoxalmente não existe, para conseguir alguma esmola, quando no fundo são tão felizes… E olha que disto eu entendo!

Lá estavam eles com uma sacola na mão com pães queijo e tomates. Nossos protagonistas se encarregaram das cervejas e eles dos tira-gostos. Passaram a tarde toda naquele lugar e depois de muita cerveja e sanduíches desceram a cachoeira agora por um novo caminho não menos interessante.

Na segunda noite que seria a última, conheceram novos bares, novas pessoas, e um único estúpido que não merece entrar nesta história. Ele faz uma cachaça artesanal que deve ser uma merda e tem um bar que é uma merda maior ainda que logo vai fechar! Certamente vai! Afinal nunca estou por lá e sabemos que onde não triunfo nada vinga!

Logo chegaram a uma pizzaria onde Facundo tocava seu violão solo e sem voz. Sentaram em uma mesa bem ao seu lado e ficaram por ali harmonizando com aquele local tão singular. Nos intervalos Facundo se sentava com Eles e dava o prazer de conhecer sobre sua curta história de muitas andanças. Logo Patrício chegou. Música, gente de todos os tipos, enormes corações, mentes gigantes. Aquele cenário era simplesmente surreal. A noite não podia acabar, parecia um sonho… Podia me sentir bem vinda por quase todos naquela hora…

Facundo tocava e por vezes parava e corria seu chapéu recolhendo alguns poucos reais. Terminado seu espetáculo sentou-se à mesa pra contar as oferendas. Fez montes de dois, de cinco e de dez, e apenas duas notas de vinte. Totalizaram a receita de cento e vinte e oito reais. Muito menos do que Pai e Filho gastavam por dia, cada um neste passeio. Com este valor deveriam passar os dois mais uns três dias. O Filho não pôde deixar de notar este fato. Qual não foi a sua surpresa quando de repente Facundo e Patrício saem da mesa para se encontrar com mais outros amigos locais deixando os baixos montes de notas na sua mesa.

O Filho olhou aquelas notas e não se conteve… Ele ali tão fixado na questão do dinheiro e aqueles dois jovens abandonando o pouco que tinham ganhado com seu trabalho (e que trabalho!), numa mesa com dois quase desconhecidos. Que desprendimento pensou!

Os Amigos voltaram e levaram o que era deles. É claro que Filho e Pai cuidaram com respeito. Foram embora no outro dia logo cedo. Sorte a minha ter o poder de estar em vários locais ao mesmo tempo.

No dia de ir embora, o Filho já me conhecia muito melhor. Chegou a uma simples conclusão que a maioria da humanidade que troca sua vida por um mísero salário, nunca chega. Então, no caminho, de volta pra vida real, o Filho estava disposto a me conhecer melhor, afinal Ele precisava retirar os lençóis que o cobriam, certo de que desejos aumentam a visão, mas cegam também. No carro Eu já não mais estava atrás do banco do Pai, mas na parte do meio, entre os dois, onde podia ser vista pelo motorista no retrovisor. Quando o Filho se acomoda ao volante e ajeita o retrovisor para pegar a estrada, ele olha bem fixo nos meus olhos pelo espelho e com uma voz macia, cheia de certeza, como se já me conhecesse há tempos, ele me pergunta:

– Vai conosco Felicidade?

– Enquanto me quiser por perto, sempre lhe servirei! Respondi com um largo sorriso no rosto!

Agora éramos nós três, sem lençóis tapando, por todo o tempo que me permitissem ficar por ali…
  • Renato Maurício 11 de julho de 2012 at 14:44 / Responder

    Bita,
    Vá em frente, as pedras vão te ensinar o caminho.
    Beijos,
    Voinho Renato.

    • fabricioliver 11 de julho de 2012 at 15:07 / Responder

      Meu bom e incentivador Pai!!!! Como sabe me ler!!! Exatamente Elas é que estão mais presentes nesta hora me dando as mais valiosas dicas. Beijos

  • fabricioliver 17 de outubro de 2012 at 20:25 / Responder

    m

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