Fabrício Maurício | Diário de Uma Bicicleta XII – Sobre Equilíbrio e Movimento
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Diário de Uma Bicicleta XII – Sobre Equilíbrio e Movimento

Diário de Uma Bicicleta XII – Sobre Equilíbrio e Movimento

Por Fabricio Mauricio em Trilhas diárias de uma Bicicleta 30 jun 2012
Na minha casa moram dois Anjos. Um está por lá há quase sete anos, o outro chegou há dois anos. Pousaram em meu Lar com um objetivo que pra mim é muito claro: Ensinar-me a viver com mais sabedoria! Além de mim, ensina minha Esposa, nossos Pais, harmoniza nossa casa, nos transforma em uma família. Gera movimento e equilíbrio em nossas vidas! Além de tudo isto ainda nos dá a honra de ensiná-los também a parte que aprendemos na nossa jornada terrena, um pouco maior que a deles até então.

O Anjo de dois anos acaba de se iniciar no maravilhoso mundo das rodas, já tem seu velotroz e rasga todos os cômodos da casa se deliciando com o prazer da liberdade e independência de sozinha poder se locomover. O Anjo de seis, já escangalhou com o seu velotroz, tanto o usou, e como aproveitou! Depois veio sua primeira bicicleta. A magrelinha ainda com características de brinquedo, veio com rodinhas auxiliares, que o acomodaram fazendo-o se acostumar com as facilidades disto e protelando seu avanço. Além disto, como era muito pequenina e estes Anjos crescem de forma muito acelerada nestes primeiros anos na Terra, logo ela ficou obsoleta.

Uma vez que estou impedido de me deliciar com este grande prazer de pedalar, qualquer atividade relacionada a isto já me satisfaz. No mês do meu aniversário imaginei que já seria hora dele ganhar sua primeira bicicleta de verdade de presente. Feliz e preocupado com o desafio que estava por vir Ele disse:

– Mas porque andar sobre duas rodas, quando posso voar e me transportar para qualquer lugar no tempo e espaço, quando Eu bem entender?

– Meu Pequeno, seus voos, não cessarão. É só mais um meio de se locomover, divertir, se equilibrar e manter-se em movimento!

Respeitando uma tradição tricenal, e ainda minha temporária limitação de movimentos, meu Pai o iniciou na aventura. Incentivando-o, mais razão do que emoção, e mantendo-o firme em seu propósito. Ele se posicionava ao lado do Pequeno Anjo, firmando sua grande mão entre seu  pequeno pescoço e os ombros, andando enquanto o Querubim bravamente pedalava sua nova e bicicleta, lutando por míseros metros de equilíbrio e independência. Naturalmente alguns leves tombos aconteceram. Isto não o desanimou, mas certamente gerou medos e dúvidas. Após algumas tentativas, alguns acertos e muitos erros, pararam para descansar e retomar o exercício em outro momento. Meu Pai se aproximou de mim e comentou:

– Filho, nosso Anjo vai muito bem. Aprender andar de bicicleta é aprender a se equilibrar tão somente.

– É verdade Pai, e acho que é exatamente aí que reside o grande desafio, afinal como é difícil mantermos o equilíbrio… Papai tirou seus óculos, se levantou, levantou a pequena bicicleta e soltou-a. Logo ela caiu de lado, e Ele completou:

– Se Você fica parado em cima da bicicleta, vai cair, não vai conseguir se equilibrar. Para conquistar e manter o equilíbrio é preciso estar em movimento!

Passei muitos dias refletindo sobre este episódio. A heroica Bicicleta, protagonista maior de tantos diários, sendo novamente instrumento para mais esta grande lição: Só conseguimos o equilíbrio se estamos em movimento. O tão longínquo ponto que todos buscam e lutam durante toda uma vida, só exige de nós um pequeno detalhe, o movimento! Incrivelmente, vivemos em uma dinâmica contrária, sempre caminhando lentamente, e por vezes tão rápidos – afoitos por chegarmos a algum lugar que nem vemos o caminho – rumo à estática zona de conforto.

Os passos que damos são quase sempre os suficientes para que possamos chegar a um medíocre ponto e ficarmos ali parados, desfrutando estas miseráveis e fugazes conquistas. Sem nos dar conta da finitude precoce de tudo isto, exigimos da vida o tão desejado “Ponto de equilíbrio”!

A menos que estejamos dispostos a uma vida de intensos movimentos, mudanças de rumos e de rotas, nunca chegaremos lá. Quanto mais movimento mais equilíbrio. Parados, sempre cairemos. Em movimento, também cairemos, mas as chances de nos equilibrar aumentam importantemente. Se estivermos numa velocidade maior, conseguiremos até saltar pequenos obstáculos (experimente saltar uma rampa de bicicleta pedalando abaixo de 10 km/h, por exemplo, e vai sentir o dissabor do tombo). Entretanto se temos planos de vida maiores, se almejamos alçar voos extraordinários, precisamos de velocidade, atenção ao caminho e constância. Só neste nível de concentração, equilíbrio e movimento seremos capazes de efetivamente decolar.

Para estes bravos e conscientes guerreiros, existe um infinito céu sem limites os esperando para voarem e se transportarem para qualquer lugar no tempo e espaço, quando bem entenderem…
Conto Publicado no Jornal Diário da Manhã em 29/06/2012:
  • José Augusto 3 de julho de 2012 at 02:01 / Responder

    Caracaa!! Belíssimoo texto! tá muito bom, viu Fabrício..
    “Quanto mais movimento mais equilíbrio. Parados, sempre cairemos. Em movimento, também cairemos, mas as chances de nos equilibrar aumentam importantemente.”
    Parabéns! como eu gosto de dizer rs.. tá granfino!
    grande abraço!!

    • fabricioliver 4 de julho de 2012 at 01:33 / Responder

      Grande Zé!!! Suas palavras sempre fazem toda diferença. Sempre serei grato por todo incentivo!!!

      Abraços

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