Fabrício Maurício | A Galeada
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A Galeada

A Galeada

Por Fabricio Mauricio em Gotas de Lágrimas 17 jun 2012

Não se trata de goleada (vários gols em uma partida de futebol), nem de galinhada (comida típica mineira ou goiana – e olha que isto dá uma briga danada!). É galeada mesmo! Mais ou menos a mesma linha de produção da galinhada, com a diferença do sexo do penoso que se mistura ao arroz que neste caso é macho. Por ser mais duro (o Galo), fica mais tempo cozinhando, e consequentemente durante mais tempo os famintos que esperam a iguaria ficam bebericando e jogando conversa fora. E nessa conversa vai, conversa vem, nada melhor que ficar cornetando os Amigos que não compareceram afinal que graça tem falar mal de alguém na cara? Bom mesmo é falar mal pelas costas! Neste dia escolhemos um só, afinal só um daquela quadrilha não compareceu. Com muita criatividade e malícia, cada qual se esforçava para lembrar-se dos detalhes mais perniciosos possíveis, de modos que o papo furado ficasse cada vez mais divertido:

– Cara, e aquela careca dele? Meu, que troço feio danado! Se um dia meus cabelos de cima da cabeça começar a cair, rapo logo tudo! Coisa mais feia aquele negócio de deixar aquele cabelinho nas laterais, parece o bozo!

E todos: – kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Outro logo emenda:

– Prá não falar do nojento hábito de comer titica de nariz! O cara faz as maiores peripécias para degustar sua cacaca sem que os outros percebam, mas todos já sabem. Mete o dedão indicador naquele buracão cabeludo, e sai com um catotão de causar inveja em qualquer mendigo esfomeado, e disfarçadamente o dedão some na boca e depois volta vazio. Ele olha para um lado, olha pro outro, e antes que a meleca seque, quando pensa que ninguém está vendo, chupa o dedo! Mal sabe Ele que todos que já o viram com o dedão na nariga já estão com o radar ligado e sempre de rabo de olho só esperando o repugnante momento da degustação. Que Filho da Puta nojento do Caralho Bixo! Um terceiro completa:

– Isto pra não dizer do risco que corremos quando estamos por perto desta cena e Ele percebe que sacamos o movimento. Ele logo fica sem graça, disfarça um tempo e faz aquela catapultazinha com os dedos indicador ou médio que servem como propulsão para lançar o chabu que se apoia no polegar, para ampliar o limite de alcance da catota. Cara, Vocês acreditam que já fui bombardeado com uma destas?

Num misto de expressões de nojo e muitas novas gargalhadas, todos se acabaram de tanto rir, e outros assumiram ter sido também vítimas destes ataques:

– Pois é Companheiro! Que merda né! Imagina com tanto espaço e esta porcaria vir atingir meu braço?!?! Depois desta defini minha estratégia. Finjo muito bem que não vejo, pra que Ele ao invés de lançar aquela bola de grude, possa se alimentar dela. Comedor de meleca do cacete!

Nisto a turma já estava em estase e felizes pela ausência deste tão querido Companheiro, que os cedeu o enorme prazer de poder zoar tanto assim dele. O mais tímido e mais sacana do grupo não se conteve:

– E quando ele enfia a mão dentro da calça e cheira a mão depois?

– kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Nova explosão sincronizada de gargalhos, quando outro sem perder a oportunidade enriquece com mais detalhes aquele cacoete indecente:

– Putz! Que Filho da Mãe! Depois que mete a mão no perseguido fica disfarçando a contaminada sem tocá-la em mais nada para não perder o mau cheiro adquirido na coçada, passa o braço por detrás da nuca, e logo estica o dedo em direção ao nariz e dá aquela cafungada. Sem contar quando faz pose de quem está pensando ou refletindo sobre algo com a mão fedorenta no queixo e estrategicamente dá aquela repuxada no dedão rumo à sua napa já ansiosa por uma aspirada naquele fedorzinho.

Após nova e longa sequência de gargalhadas, e socos na mesa quase se estribuchando de tanto rir, vem outro:

– Falando em fedor, esta Vocês não vão acreditar! O Desgraçado gosta de cheirar peido! O locutor não se conteve, e ele mesmo soltou: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Pode uma coisa destas? Dia destes estou Eu entrando no banheiro quando o surpreendo sozinho ali com uma névoa amarela suspensa no ar, fazendo movimentos com a mão em concha, vindo da bunda até o nariz, num ritmo de abano. Pirei! De longe eu quase sufoquei com aquele futum de ovo, e o Cara jogando prá dentro com mais força… Que Porco miserável!

E então nova explosão: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Todos já estavam exaustos de tanto rir e com seus índices de endorfina abastecidos em estoque pra aguentar qualquer estresse  da semana, quando mais um sacana continua a sabatina:

– E falando em mão naquilo e catinga, o mais escroto é quando ele dá aquela coçada na virilha e no saco. O Bicho dá uma tremida no braço e na perna que parece até que está tendo uma convulsão. Se estica todo e sincronicamente, mão, braço e perna começa um trimilique que parece até que o cara tá gozando, porra!

Olha, foi um dos maiores festivais de gargalhadas que já vivenciei em toda minha vida, como é bom esculhambar com os Companheiros quando estes não estão por perto! E bom mesmo é fazer isto com Amigos. Caçoar dos inimigos não tem graça nenhuma. E enquanto nos acabávamos de tanto zoar, o careca comedor de meleca, cheirador de pinto e peido, e coçador de saco, nossas respectivas senhoras, começaram a se servir na panelada de galeada. E como se serviram! Logo veio a fila dos marmanjos zombeteiros, moles e fracos de tanto rir. Para o último da fila não sobrou quase nada além do arroz e um único pedaço do galináceo, em formato de cilindro medindo uns cinco centímetros. Ele olhou aquele pedaço do falecido Alfredão (nome de batismo do Valente que entregara sua vida de muita orgia com a galinhada do terreiro, para alimentar agora aquele bando), em seu prato e perguntou ao dono da casa:

– Parceiro, que pedaço é este que sobrou prá mim? Perguntou já vendo o pescoço que era o que mais se parecia com o seu pedaço no prato de um Companheiro. O que poderia então ser este?

O malfeitor não podia perder esta oportunidade:

– Tu foste premiado Companheiro! O Alfredão era o xodó das galinhas do terreiro, nunca vi tanto vigor num bicho só! Vivia fazendo pintinho e sempre com o pinto duro! Tu demoraste demais a se servir e veja só, sobrou pra ti o falo do galo!

Nesta hora o compadre do lado não se aguentou ao ver a cara do outro já com o cacete do galo na boca, caiu prá traz de tanto gargalhar e bateu com a cabeça na quina da calçada. Naquela hora acabou a graça (que em outros momentos veio à tona e novamente fez todos derramarem lágrimas de tanta risada), mas tinham que justificar algo à polícia. Como não deixou marcas em sua cabeça apesar da pancada e todos os depoimentos foram unânimes e ainda puderam comprovar em exames o alto índice de endorfina no organismo, não tiveram dúvida quanto à causa mortis do falecido amigo:

Morreu de Rir!

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